Ações de prevenção à pedofilia são debatidas em seminário na Assembleia Legislativa

Representantes da sociedade civil organizada, de igrejas e do poder público estiveram reunidos na manhã desta terça-feira (16), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), para participar do “Seminário de Conscientização e Combate à Pedofilia”, promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, coordenada pelo deputado Gilson de Souza (PSC). O parlamentar é, ao lado do ex-deputado e hoje prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos (PSC), autor da Lei Estadual nº 17.637/2013, que institui a “Semana Estadual Todos Contra a Pedofilia”, que é promovida anualmente no período de 13 a 18 de maio.

O encontro teve como objetivo chamar a atenção da sociedade paranaense para a necessidade de combate à pedofilia e debateu temas como a responsabilidade do poder público e da sociedade civil no atendimento às vítimas de pedofilia e de exploração sexual, e de como as famílias podem proteger seus filhos dessa prática violenta. “Nós temos conhecimento do aumento do número de denúncias contra o crime de pedofilia. Mas o que nos preocupa é que muita gente ainda não denuncia, pois a criança ou adolescente que sofre esse tipo de abuso normalmente não fala sobre o ocorrido. Nosso apelo é para que a sociedade identifique qualquer tipo de sinal ou mudança de comportamento e denuncie”, ressaltou o deputado Gilson de Souza.

Informação e prevenção – A promotora de Justiça da Vara de Infrações Penais conta Crianças, Adolescente e Idosos, do Ministério Público do Paraná, Tarcila Santos Teixeira, afirma que a sociedade convive com a pedofilia por falta de informações e prevenção. “As pessoas apostam muito na repressão ao crime. Mas na área do crime sexual e, principalmente, na questão da pedofilia, nós temos que apostar na prevenção, porque a repressão não vai funcionar. O criminoso sexual sempre vai existir. Nós temos que prevenir. E a prevenção vem de onde? Do chamamento da sociedade à responsabilidade em relação à proteção das crianças”, disse a promotora.

Para o diretor da Sociedade Psicanalítica do Paraná, Silvio de Souza Mariano, é muito importante que as pessoas entendam o que está por trás da atitude do pedófilo. Segundo ele, há situações no ambiente familiar que contribuem para que o indivíduo venha a cometer o abuso. “Existe um aspecto chamado perversão, que está presente nesse tipo de indivíduo desde sua concepção. Mas é no ambiente familiar que esse aspecto será reprimido, não sendo permitido que esse indivíduo atue com suas demandas perversas. Por outro lado, uma criança que sofre qualquer tipo de abuso pode ter problemas com drogas, prostituição, promiscuidade e até se tornar um abusador no futuro”, alertou.

Sinais – De acordo com a subtenente da reserva da Polícia Militar do Paraná, Tânia Mara Abrão Guerreiro, que é especialista em metodologias de enfrentamento à violência contra a criança e o adolescente, crianças que sofrem algum tipo de abuso sexual apresentam sinais contundentes que precisam ser notados pelos pais. “Há uma mudança brusca de comportamento, passando a criança a fazer xixi na cama, apresentando súbita compulsão alimentar ou ausência de apetite, e sono agitado, por exemplo. Ela também evitar ficar sozinha com determinadas pessoas. Mas precisamos lembrar que essa criança não vai contar que sofreu abuso”, explicou.

A subtenente ainda alertou que os pais também precisam atentar mais ao comportamento dos filhos. “Hoje temos que dar um puxão de orelha no pai e na mãe que não estão tomando conta de seus filhos como deviam tomar. É preciso deixar um pouco mais de lado o celular, as redes sociais, para cuidar da família e, principalmente, dos filhos”, concluiu Tânia Mara.

Também estiveram presentes no seminário os deputados Marcio Pacheco (PPL), Evandro Araújo (PSC) e Claudia Pereira (PSC), além de representantes da Polícia Militar do Estado do Paraná, da Polícia Civil, da Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social, da OAB-PR, entre outras entidades.

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